História

SER SUSTENTÁVEL

Reserva Cachoeirinha comemora 50 anos de resistência

Sua história se confunde com a do Prof. Jacy Guimarães, um sonhador que com luta e perseverança tem transformado a área em um santuário ecológico.

Por Salésia Ramos

É de encher os olhos e fazer palpitar o coração de quem aporta pelas bandas da Reserva Cachoeirinha, santuário ecológico que fica na divisa de Goiás com o Distrito Federal, na BR-060, KM6. Mas nem sempre foi assim. Até 22 de setembro de 1970, quando Jacy Guimarães chegou por lá, disposto a recuperar aquele terreno completamente degradado, desmatado, erosivo, com morte das nascentes, fauna e flora agonizando, a área estava com seus dias contados. E nestes 50 anos de luta e perseverança de um sonhador, muito ainda se tem a fazer, mas muito mais a se comemorar.

Cachoeirinha foi adquirida pelo professor Jacy Guimarães com o dinheiro recebido de herança do pai. Na verdade, era um desafio, uma missão que ele atribuiu a si. O primeiro passo foi arregaçar as mangas e criar um projeto para recuperar aquele terreno tão maltratado pela ação do homem. O professor tinha pressa pelo renascimento de sua mais nova paixão e ao mesmo tempo em que fazia renascer a esperança naquele ambiente, foi feito um trabalho inédito nas comunidades rurais vizinhas. O foco era proteção da fauna, da flora e água, com recuperação de nascente.

De longe, a cancela anuncia que lá dentro a Reserva Cachoeirinha protege o cerrado para as futuras gerações.

De longe, a cancela anuncia que lá dentro a Reserva Cachoeirinha protege o cerrado para as futuras gerações. Basta adentrar neste pedaço de terra da vegetação brasileira para se deslumbrar com plantas nativas, flores grandes e miúdas, multicoloridas. As placas espalhadas convidam o visitante a ser um protetor da fauna e da flora. Cada detalhe, cada canto do passarinho, cada filete de água e cada plantinha brotando são conquistas diárias de uma rotina árdua, porém prazerosa.

A Reserva, no inicio, faz parte um grupo “Amigos da Cachoeirinha” e desde 2019 é mantida com a ajuda de uma associação, a “Associação Santuário Ecológico Professor Jacy Guimarães”, que atualmente trabalha mais com plantas em extinção. Mas, as ações do grupo ultrapassam fronteiras, tudo em nome da preservação da natureza. São realizados trabalhos de reflorestamento, coleta de sementes, plantio de sementes, mudas, combate a incêndios e contenção da água da chuva nas grotas para evitar erosão.

Completar 50 anos com tanta vitalidade e conservação é mesmo motivo para comemoração. A maturidade trouxe persistência e se manter evoluindo não tem sido tarefa fácil. É que a reserva fica em uma área cercada de fazendas de criação de gado, loteamentos recentes, que às vezes trazem problemas como incêndios, invasão de caçadores, cachorros, poços artesianos e tantos outros que se tenta resolver com diálogo, parceria e conscientização da importância daquele bioma. O desafio mais recente foi combater o incêndio que queimou quase 30% da área da RPPN, de 89 hectares.

Guardião da reserva, o Professor Jacy já tem 85 anos de idade, mas o peso dos anos não o impede de acreditar naquele sonho que se propôs a realizar e transformar em ação desde 1970. Prova disso é que existem vários projetos para a área, desde trilhas, educação ambiental, criação de uma brigada de combate a incêndios florestais, cursos de identificação de plantas medicinais do cerrado, entre outros. Tem, ainda, o trabalho com dois grupos de índios das etnias Wapichana e Guarany. Confiante que o contato direto com a natureza é a saída para se ter qualidade de vida, o grupo está desenvolvendo projeto de uma ecovila. Em 8 de setembro de 2019, foi fundada a Associação Santuário Ecológico Professor Jacy Guimarães, que se encarregará de cuidar da RPPN Cachoeirinha, a parte da área livre de 40 hectares.

Incansável, o professor pede ajuda, principalmente financeira. É preciso fazer aceiros, investir, educar, recuperar, fazer florescer, brotar água, conscientizar. É preciso manter a RPPN Cachoeirinha viva!

RPPNs são unidades de conservação particulares criadas a pedido do dono da área

RESERVA ECOLÓGICA

Com base no “interesse público” e “caráter de perpetuidade”, por meio da Portaria nº 575, publicada no Diário Oficial da União em 15 de outubro de 2019, a fazenda se tornou Reserva Particular do Patrimônio Natural -RPPN Cachoeirinha – através do Ministério do Meio Ambiente/ Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Dos 129 (?) hectares, 89 foram reservados para a RPPN. Vale ressaltar que RPPNs são unidades de conservação particulares, criadas a pedido do dono da área, que não podem ser destruídas. Porém, nas reservas são permitidas pesquisas científicas e visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais.

O professor Jacy chegou em 1970 na fazenda com uma tarefa árdua e prolongada, mas a história passada de geração a geração aponta que a propriedade Cachoeirinha ou Retiro do Descoberto foi habitada há mais de 150 anos por dona Josina, que morou lá por volta de 1900. Diz, ainda, que o último nativo a morar no lugar foi Domingos Francisco nos idos de 1930/1950. Mas, foi a construção de Brasília em 1955, quando parte da área se tornou acampamento, que as terras da Cachoeirinha foram completamente devastadas. Em 1972 chega dona Maria Ganga para dar vida ao lugar. Sua conexão com a natureza foi tanta que não é exagero dizer que metade das árvores plantadas na área foram semeadas por ela.

Com a partida de sua ilustre moradora a Cachoeirinha precisava continuar a respirar. E nos anos de 1980, o grupo voluntário “Amigos da Cachoeirinha” – que tem como ponto fundamental a preservação do cerrado e a sua riqueza – começou um trabalho de educação ambiental nas comunidades vizinhas e distantes. Foram contempladas as comunidades rurais do Santo André, Pontezinha, Quarta-Feira, Lagoinha e Santa Rosa, além do abrigo de menores Casa de Meu Pai.

O primeiro contato do grupo com as comunidades rurais se deu através das escolas, com palestras, oficinas, encontros ecológicos e aos poucos se foi penetrando nessas comunidades. Atingindo primeiro o aluno, depois os pais e por fim, todos os envolvidos.

O grupo percebeu que precisava fazer mais, atingir outras comunidades. Essa inquietude levou à criação dos Encontros Ecológicos mensais. Além de campanhas e mutirões para despoluir córregos, limpar cachoeiras, entre outros serviços. Foi feito, ainda, um trabalho intenso de proteção das nascentes. Além de alfabetização ecológica com crianças e cursos na área ambiental e ecológica, não faltou publicação de livros.

AMOR PELA CACHOEIRINHA

Com a pandemia da covid-19, a rotina das pessoas foi totalmente modificada e enquanto não chega o “novo normal”, as comemorações ganharam outros formatos. Com a celebração dos 50 anos da Reserva Cachoeirinha não foi diferente. Para declarar o seu amor por ela, amigos participaram de uma live emocionante. Foram muitas declarações de amor e gratidão.

É o caso de

Isabel Queiroz que confessou que participava emocionada da celebração. ”Rendo homenagens ao Guardião, professor Jacy Guimarães, cujo coração bate no compasso da Cachoeirinha.”

Lydia Rebouças agradeceu: “Jaci querido, gratidão! Bençãos pra você, pra Cachoeirinha, pra todos.”

Glória também deixa seu recado: “Jacy, parabéns pela grandiosidade do seu trabalho, dedicado à Grande Mãe.”

Camila Monteiro disse que “queria deixar minha gratidão imensa por todo esse trabalho que vem sendo feito há anos, com muito amor pela natureza, com muita perseverança, resistência, compaixão.”

Silvio deixou registrado ao professor Jacy seus agradecimentos “por todo este testemunho de vida, que nos confirma na caminhada em defesa da Pacha Mama. Quanta honra, que alegria saber desta experiência.”

Cicero Ramos, que colabora desde 2000 como voluntário através da ONG Patrulha Ecológica, faz comparação ao afirmar que o professor Jacy e a Cachoeirinha são especiais. “Os conheço há mais de 20 anos. Aprendemos cada vez que o encontramos, pois na reserva, quando o professor passa, cada árvore e planta o reverencia. O professor é um ser diferente, tem uma sabedoria ímpar. Parabéns professor Jacy, parabéns para a nossa querida Cachoeirinha!”

Sol complementa: ”Que a Cachoeirinha permaneça a expressão do amor à natureza!”

 


História da Reserva Cachoeirinha


Por Cristina Ghidetti Estrela

Em setembro de 1970, o professor Jacy Pereira Guimarães adquiriu a propriedade rural então denominada Retiro do Descoberto, ou Cachoeirinha, com o intuito de recuperar e preservar as águas, a flora e a fauna do Cerrado local, criando assim uma reserva natural permanente. Ao longo dessas cinco décadas, mais pessoas aderiram a esse propósito e, no ano de 2019, formaram a Associação Santuário Ecológico Professor Jacy Guimarães, também conhecida como Associação Reserva Cachoeirinha. Também em 2019, a área obteve seu registro como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) no ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Mas ainda há muito mais a ser feito em prol da preservação do Cerrado.

A Cachoeirinha antes de Jacy Guimarães

As informações mais antigas que se tem sobre as terras da Cachoeirinha datam de cerca de 1900, quando lá moravam os pais de Dona Josina, mãe do vereador de Santo Antônio do Descoberto Ozório Pereira Braga.

D. Josina nasceu ali e contava que seu pai gostava muito daquelas terras, principalmente pela qualidade da água. Ainda há, ao lado da cachoeira que dá nome à propriedade, dois coqueiros de macaúba plantados pela mãe de D. Josina, em 1903.

Sabe-se ademais que o último nativo a morar na Cachoeirinha foi o Senhor Domingos Francisco, mais ou menos no período de 1930 a 1950. A casa em que ele morou existe até hoje, feita de adobe, esteios, caibros roliços (retirados do próprio terreno) e ripas de palmito, palmeira que ainda existe à beira do córrego.

Com a construção de Brasília, em 1955, a Cachoeirinha foi cedida (ou alugada, não se sabe ao certo) a uma empresa mato-grossense responsável pela construção da BR 060, estrada que liga Goiânia a Brasília. Lá, a empresa fez seu acampamento e permaneceu por cerca de três anos, período em que aquelas terras foram devastadas. Até suas matas ciliares foram transformadas em carvão para venda em Brasília, pois não havia energia elétrica na cidade.

 

No começo de 1970, as terras da Cachoeirinha estavam severamente degradadas, com pouca vegetação e muita erosão

A recuperação ambiental

No começo de 1970, as terras da Cachoeirinha estavam severamente degradadas, com pouca vegetação e muita erosão. Iniciou-se então um trabalho de recuperação, que vem sendo feito ainda hoje, com construção de curvas de nível, coleta e plantio de sementes, podas, proteção de nascentes e cursos dágua, construção de barraginhas e contenção de águas da chuva nas grotas, para infiltração no solo, com uma técnica que Jacy batizou de beaver, além de aceiros, combate a fogo, etc., tarefa árdua e prolongada, para a qual o professor precisou de aliados.

Em 1972, Dona Maria Fortunato Mariano, conhecida como Maria Ganga, que havia sido criada pelo avô de Jacy, foi morar com seu sobrinho Irondes na Cachoeirinha. Lá ficaram por 30 anos. Só saíram pouco antes da morte de D. Maria. Ela era uma pessoa sensível e conectada com a natureza. Alguns dizem, inclusive, que era sensitiva. Trabalhava diariamente no reflorestamento da área, e estima-se que metade das árvores hoje lá existentes foi plantada por ela.

Além de D. Maria, outras pessoas se somaram ao trabalho, a partir do final da década de 1980, e acabaram formando a associação de voluntários inicialmente chamada de Amigos da Cachoeirinha. Embora o foco inicial do grupo fosse o desenvolvimento de projetos de educação ambiental nas comunidades rurais vizinhas, após a morte de D. Maria, seus esforços se concentraram na recuperação ambiental e no desenvolvimento da Reserva Cachoeirinha.

Como consequência do trabalho de recuperação ambiental, a fauna está retornando

Como resultado da ação do professor Jacy com seus aliados, atualmente, toda a propriedade voltou a ter vegetação nativa do Cerrado, com boa diversidade, inclusive com algumas plantas ameaçadas de extinção e de grande valor medicinal e ecológico, como o Vinhático, a Mama Cadela, o Velame Branco, a Arnica e o Pau Doce, entre tantas outras. Além disso, áreas que, em 1970, eram puro cascalho apresentam agora uma cobertura rica; pequenas barragens espalhadas pela Reserva acumulam água e matéria orgânica; as nascentes estão todas protegidas e, como consequência natural, a fauna está retornando.

Mas ainda há muito a fazer, como o plantio de mais árvores, gramíneas e outras plantas nativas, o combate às invasoras, a construção de novas barragens, a sinalização protetiva e educativa nos limites e no interior da Reserva, a catalogação da flora e da fauna lá existentes, além da implementação de infraestrutura para o desenvolvimento de mais ações educativas na Reserva. E é para isso que a Associação Reserva Cachoeirinha precisa continuar empenhando esforços e buscando aliados.

Os trabalhos na Reserva da Cachoeirinha seguem planejamentos anuais

O trabalho anual

Os trabalhos na Reserva da Cachoeirinha seguem planejamentos anuais, feitos geralmente no final do ano anterior. Incluem, pelo menos, dois mutirões de coleta de sementes, dois de plantio e dois de poda; construção de barragens para infiltração da água da chuva; manutenção das nascentes; ações para prevenção de incêndio, como abertura de aceiros e treinamento da brigada; além de projetos de educação ambiental, como exposições de sementes do Cerrado, alfabetização ecológica e cursos sobre usos tradicionais das plantas do Cerrado.

De acordo com esse planejamento, entre maio e agosto, ocorrem mutirões de poda, seguindo técnica da permacultura, que visa aumentar a biomassa para criação de solo. Em todos os mutirões, busca-se trazer pessoas tanto dos Amigos da Cachoeirinha quanto de fora, pois eles têm também um caráter de educação ambiental. Neles, Jacy explica o trabalho feito na Reserva Cachoeirinha, seu sentido e as técnicas usadas.

Já entre os meses de setembro e outubro, ocorrem os mutirões de coleta de sementes. Em tais oportunidades, o trabalho de educação ambiental é mais voltado para as características, a importância e a vulnerabilidade atual de cada espécie coletada. Esses mutirões, às vezes, são feitos na Cachoeirinha e arredores e, às vezes, em propriedades de amigos, mas sempre no Cerrado. A coleta fora da Cachoeirinha é importante para propiciar o fluxo gênico, ou seja, a introdução na Reserva de plantas com genes diferentes da população já existente, o que favorece o desenvolvimento de indivíduos mais resistentes.

Posteriormente, entre novembro e dezembro, acontecem os mutirões de plantio de sementes e mudas, também com pessoas de fora dos Amigos da Cachoeirinha, para educação ambiental. Para o plantio de sementes, marcam-se curvas de nível nos morros, onde elas são depositadas. Essa técnica, associada à poda, faz com que a água da chuva penetre na terra e a matéria orgânica se decomponha na área plantada, conservando o solo e criando um ambiente propício à vida. Afinal, o grande desafio ali é a formação de solo em cima do cascalho.

Algumas sementes também são cultivadas nas casas de participantes da associação, como nas da Cristina e da Georgina, para plantio em mudas no ano seguinte. Adicionalmente, amigos e instituições parceiras, como o Viveiro Comunitário do Lago Norte, doam mudas para a Associação. Tanto as sementes quanto as mudas plantadas são sempre de espécies do Cerrado.

Conservação da água

Além da vegetação e do solo, a conservação da água é outro eixo de ação na Reserva, que tem um córrego com cachoeira e, pelo menos, cinco nascentes perenes. Duas técnicas são usadas para conter enxurradas, evitar erosão e assoreamento e permitir que a água penetre o solo, abasteça o lençol freático e, consequentemente, aumente sua disponibilidade na região.

A primeira é a de barraginhas, pequenas bacias escavadas no solo, para onde, por meio de valas, são dirigidas as águas da chuva. A Reserva da Cachoeirinha já tem diversas espalhadas em sua área, principalmente ao lado da estrada, por onde as enxurradas costumam descer. O sistema consiste em valas diagonais sobre a pista, que desviam a água para a barraginha lateral, com um “ladrão”, que conduz o excesso para outra barraginha, mais abaixo.

Dessa forma, em vez de a água da chuva correr, levando consigo solo e sedimentos, ela é detida e vai se infiltrando aos poucos na terra, melhorando a qualidade do solo, ajudando a vegetação e abastecendo o lençol freático.

A técnica de beavers é usada há décadas na Reserva, com notável desenvolvimento do solo e da vegetação ao lado dessas grotas.

A segunda técnica foi desenvolvida por Jacy e batizada de beaver. Serve para barrar a enxurrada e os sedimentos que descem pelas grotas na época da chuva. Consiste em colocar obstáculos nas grotas, tal como as barragens que os castores fazem em seu habitat, mas empregando restos de construção, pedras, cascas de coco e madeira. Assim, a água perde a velocidade e se infiltra no solo, enriquecendo-o. Os sedimentos que desceriam com ela ficam presos nos beavers e, com o tempo, decompõem-se e viram adubo, utilizado no plantio de mudas.

A técnica de beavers é usada há décadas na Reserva, com notável desenvolvimento do solo e da vegetação ao lado dessas grotas.

Educação Ambiental

Além da preservação do Cerrado e de suas águas, a Reserva da Cachoeirinha tem a missão de promover a educação ambiental. É por isso que as pessoas e grupos que a visitam recebem informações sobre o Cerrado, sua importância e sua situação de risco, bem como acerca da importância de conservar as águas e a respeito dos princípios e técnicas aplicados na recuperação do bioma.

Mas, além desse trabalho contínuo, há ações de educação ambiental que já ocorreram ou ainda ocorrem em eventos específicos. Listamos algumas a seguir, em ordem cronológica.

Encontros ecológicos (do final da década de 1980 ao ano 2000)

No final dos anos 1980, a Associação Amigos da Cachoeirinha se formava como um grupo de voluntários dedicado à educação ambiental nas comunidades rurais vizinhas à Reserva, como as de Santo André, Pontezinha, Quarta-Feira, Lagoinha, Café Bahia e Santa Rosa, bem como no abrigo de menores Casa de Meu Pai.

O contato com as comunidades iniciou-se pelas escolas, com palestras e oficinas. Posteriormente, estendeu-se aos pais dos alunos e, por fim, a toda a comunidade.

Para atingir com mais eficácia a população, surgiu a ideia de Encontros Ecológicos mensais, nos terceiros finais de semana de cada mês. No auge do trabalho, houve encontros com até 63 pessoas. Na mesma época, com essas comunidades, fizemos mutirões para despoluir córregos, limpar cachoeiras, etc. Os principais assuntos abordados eram água, lixo, cultivo orgânico, conservação do solo, combate a queimadas, reflorestamento, proteção de nascentes, alimentação alternativa (com a professora Maria Reis), resgate das artes rurais e identificação de plantas do Cerrado.

Segundo Fritjof Capra e Thomas Berry, as crianças de zero a dez anos que passam pela alfabetização ecológica nunca mais a esquecem.

Alfabetização Ecológica (de 2009 a 2013)

Baseada na teoria de Fritjof Capra e Thomas Berry, do Holy Cross Center, no Canadá, que fala da necessidade de sermos alfabetizados novamente, pois esquecemos como fazer a leitura da natureza. Segundo esses dois autores, as crianças de zero a dez anos que passam pela alfabetização ecológica nunca mais a esquecem. Ficam conectadas com a natureza.

Outros

Faz parte do planejamento da Reserva oferecer cursos na área ambiental e ecológica, embora tal atuação venha sendo limitada pela carência de infraestrutura. Ainda faltam alojamentos para os participantes e a cozinha não está bem equipada.

No entanto, destacam-se, entre os cursos já promovidos pela Reserva Cachoeirinha, além da alfabetização ecológica, o curso para agentes ecológicos, ministrado na RPPN da professora Vera Pimenta, próxima à Cachoeirinha; o curso de construção de aquecedor solar com reutilização de material de PVC, ministrado pela professora Silvia e por seu marido, do interior de São Paulo; e os cursos sobre plantas medicinais do cerrado, com o Sr. Zé Pedro, vizinho da Reserva.

Anualmente, entre a época da coleta e a de plantio das sementes, a Associação faz, desde 2015, exposições de sementes do Cerrado, para divulgar a riqueza e a importância dessas plantas. Nessas exposições, a Associação também doa sementes aos interessados, para incentivar a comunidade a plantar a flora nativa. As exposições são feitas em Brasília e em Engenho das Lajes, comunidade próxima à Reserva.

Finalmente, não se pode deixar de mencionar a publicação, graças à Isabel Divina de Queiroz, voluntária da Cachoeirinha e educadora nos Encontros Ecológicos, do primeiro livro infantil do meio rural do município de Santo Antônio do Descoberto, “A História de uma Árvore”, da comunidade de Quarta-Feira, região da Escola Pinguela, do professor Juca. O conteúdo do livrinho foi dramatizado com crianças da comunidade e encenado também em outras escolas da região.